1 de julho de 2011

ASTROCITOMAS

      Tumores primários do cérebro (excluindo meningiomas) contam como 2% dos tumores primários. No entanto, são responsáveis por 7% dos anos e vida perdidos por câncer antes da idade de 70 anos. A incidência mundial de tumor cerebral ronda 7 casos em 100.000 por ano, sem diferença marcante entre países ocidentais. Homens são mais comumente afetados, numa taxa de 1,3:1. Existe evidencia apontando para uma predominância nos caucasianos e a distribuição etária mostra-se bimodal, com um primeiro pico na infância e um outro entre 45-70 anos. Em crianças abaixo de 15 anos, tumores primários do sistema nervoso compreendem aproximadamente 20% de todos os tipos de cânceres, sendo o segundo tipo de neoplasia mais comum depois de leucemias e linfomas.
      A classificação dos tumores cerebrais remonta a meados do século XIX com trabalhos de Virchow, o qual descrevia a neuroglia e a associava a tumores. A primeira classificação da Organização Mundial de Saude (OMS) para tumores do sistema nervoso foi publicada em 1979, seguida por revisões em 1993 e 2000. Atualmente, a classificação da OMS separa os gliomas em duas categorias maiores: um grupo de tumores difusamente infiltrativos e um outro grupo de tumores com crescimento circunscrito.

Tumores Difusamente Infiltrativos
 
Astrocitoma Difuso (grau II)
      Esses tumores desenvolvem-se, preferencialmente, em hemisférios cerebrais de jovens adultos (pico 30-40 anos). Macroscopicamente, apresentam-se como lesões patológicas bem definidas na massa cinzenta e/ou branca caracterizadas por alargamento e distorções, sem destruição das estruturas cerebrais invadidas. Os limites anatômicos normais tornam-se borrados pelo tecido tumoral infiltrante. Alterações císticas ao longo do tecido tumoral são comuns, e o tumor pode infiltrar para o hemisfério contra-lateral através do corpo caloso.




Macroscopia de Astrocitoma Difuso variante Gemistocitica
 
      Histologicamente, esses tumores são bem diferenciados, com celularidade baixa a moderada, geralmente acompanhada de invasão difusa do parênquima cerebral adjacente. Degeneração microcística mostra-se uma característica comum. A atividade mitótica esta baixa, e há uma ausência de necrose e proliferação microvascular. A variante mais comum, o astrocitoma fibrilar, e composto por astrocitos neoplásicos multipolares, com citoplasma escasso e processos celulares finos formando uma matriz glial rica em fibras. A variante gemistocitica e caracterizada pelos chamados astrocitos gemistociticos, que apresentam citoplasma alargado e eosinofilico, núcleo excêntrico e processos de stout. Astrocitomas protoplásmicos são raros e são compostos por astrocitos neoplásicos com pouco citoplasma eosinofilico e poucos processos flácidos embebidos em matriz mucoide ou microcistica.
 Cortes histologicos de Astrocitomas Difusos revelando, respectivamente, variantes Fibrilar, Gemistocitica e Protoplasmica

      Esses tumores têm tendência inerente para recorrer e para progressão espontânea para astrocitomas anaplasicos ou gliobastomas secundários.

Astrocitoma Anaplasico (grau III)
    
      Similarmente aos astrocitomas difusos, os astrocitomas anaplasicos localizam-se preferencialmente nos hemisférios cerebrais, mas acometem uma faixa etária levemente mais velha (pico 40-45 anos). Em crianças, embora incomum, o tronco cerebral e frequentemente acometido.
Macroscopia de Astrocitoma Anaplasico
 
      Microscopicamente, astrocitomas anaplasicos são caracterizados por sinais de anaplasia focal ou difusa, como celularidade aumentada, atipia nuclear e marcada atividade mitótica.
 Corte histologico revelando Astrocitoma Anaplasico, marcado pelo pleomorfismo nuclear, alta celularidade e alto indice mitotico

      Esses tumores tendem a progredir para glioblastomas secundários.
    
       Glioblastomas (grau IV)

      Os glioblastomas dividem a preferência pelo acometimento supratentorial com os outros astrocitomas de crescimento difuso. Eles podem se desenvolver em qualquer idade, mas a maioria ocorre em adultos (pico 50-70 anos). Esses tumores podem ainda desenvolver-se de formas menos malignas de gliomas (glioblastomas secundários) ou, mais frequentemente, desenvolver-se rapidamente de maneira de novo, sem evidencia de lesão previa (glioblastoma primário). Morfologicamente, não são distinguíveis. Clinicamente, os secundários tendem a ocorrer em pacientes mais jovens (<45 anos), enquanto os primários contam como a vasta maioria em pacientes idosos. Os prognósticos são igualmente ruins quando ajustados a idade do paciente para as duas formas. 
      Macroscopicamente, esses tumores são grandes massas necróticas com zona periférica de tecido tumoral acinzentado. Pode ocorrer hemorragia intratumoral, e o tecido cerebral adjacente usualmente apresenta marcado edema.
Macroscopia de Glioblastoma, apresentando necrose e hemorragia

      Microscopicamente, esses tumores são celulares, altamente anaplasicos, podendo ser compostos por células de variadas morfologias. Atipia nuclear e atividade mitótica aumentada, incluindo mitoses aberrantes, são características proeminentes. A presença de proliferação microvascular patológica e necrose e essencial para o diagnostico.
Cortes histologicos de Glioblastoma, representando alta celularidade, pleomorfismo, alto indice mitotico, neovascularizacao e necrose

Tumores de crescimento circunscrito
 
      Astrocitoma pilocitico (grau I)

      Astrocitomas pilociticos são os tumores cerebrais mais comuns em crianças. A maioria desses tumores se desenvolve no cerebelo, podendo, no entanto, também se desenvolver nos hemisférios cerebrais ou no cordão espinhal. Esses tumors tem o crescimento lento e quase nunca metastizam, tampouco progridem para graus mais malignos.
      Macroscopicamente, esses neoplasmas apresentam-se como lesões frequentemente císticas, acinzentadas, amolecidas, usualmente bem circunscritas, podendo envolver a pia mater.
Macroscopia de Astrocitoma Pilocitico, acometendo cerebelo

      Microscopicamente, esses tumores são de baixa a moderada celularidade e tipicamente apresentam uma arquitetura bifásica, consistindo de áreas compactas com células tumorais bipolares (piloides) e áreas microcisticas com células tumorais multipolares. Uma característica importante, embora não restrita a esses tumores, e a presença de fibras de Rosenthal e/ou corpos granulares eosinofilicos.
Corte histologico de Astrocitoma Pilocitico, representando padrao bifasico e fibras de Rosenthal

Eduardo Henrique Cunha Neves Filho
Graduando em Medicina
Liga de Patologia
Universidade Federal do Ceara

Referencias

1.    Robbins & Cotran; Patologia: Bases Patológicas das Doenças; 8ª Edição, 2009
2.    Collins VP, Reifenberger G. Pathology and molecular genetics of astrocytic gliomas. J Mol Med (2004).
 

5 comentários:

  1. Gostei muito do tema, meu filho operou um astrocitoma grau 2, não sei se é Fibrilar, Gemistocitica e Protoplasmica. Contudo, foi feita a cirurgia e ele esta muito bem.
    Obrigada!

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  2. Gostaria de saber se seu filho leva uma vida normal após a cirurgia,pois meu filho de 13 anos não teve a mesma sorte,ele se internou no dia 26 de novembro de 2015 para tratar um tumor cerebral (astrocitoma difuso de grau 2)que passou a ser (astrocitoma fibrilar) e os médicos disseram que não podia operar e não tinha cura,enfim meu filho faleceu dia 19 de março de 2016. Me ajude entender o que aconteceu com meu filho.

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  3. Gostaria de saber se seu filho leva uma vida normal após a cirurgia,pois meu filho de 13 anos não teve a mesma sorte,ele se internou no dia 26 de novembro de 2015 para tratar um tumor cerebral (astrocitoma difuso de grau 2)que passou a ser (astrocitoma fibrilar) e os médicos disseram que não podia operar e não tinha cura,enfim meu filho faleceu dia 19 de março de 2016. Me ajude entender o que aconteceu com meu filho.

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  4. Gostaria de saber se seu filho leva uma vida normal após a cirurgia,pois meu filho de 13 anos não teve a mesma sorte,ele se internou no dia 26 de novembro de 2015 para tratar um tumor cerebral (astrocitoma difuso de grau 2)que passou a ser (astrocitoma fibrilar) e os médicos disseram que não podia operar e não tinha cura,enfim meu filho faleceu dia 19 de março de 2016. Me ajude entender o que aconteceu com meu filho.

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  5. Operei de um ADifuso 2 há 1 ano e estou ótima,fiz um ano de fisio e entre trancos e barrancos tô tentando recuperar minha vida de volta 😉

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