24 de janeiro de 2010

NECROSE

INTRODUÇÃO
O termo Necrose é do cotidiano do médico patologista. Ele significa uma série de alterações morfológicas que ocorrem após a morte celular de um tecido vivo, devido à ação progressiva de enzimas nas células que sofreram uma lesão letal. As células necróticas são incapazes de manter a integridade das membranas e seu conteúdo geralmente extravasa, gerando inflamação local no tecido adjacente. As características morfológicas da necrose resultam da desnaturação de proteínas intracelulares e da digestão enzimática da célula, por lisossomos das células mortas ou por leucócitos que migram para a região durante o processo inflamatório.

CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS
As células necróticas passam por inúmeras alterações morfológicas. Há um aumento da eosinofilia, devido ao aumento da ligação da eosina às proteínas citoplasmáticas desnaturadas. O citoplasma se apresenta com vários vacúolos e com um aspecto corroído.

O tecido necrótico é caracterizado por intensa eosinofilia, devido à diminuição de pH oriunda da autólise. Nesse campo, ainda é possível visualizar a estrutura celular e alguns núcleos em diferentes estágios de perda de estrutura; com a evolução do processo de autodigestão, a tendência é a estrutura célula desaparecer completamente (HE, 1000X). Referência: www.fo.usp.br/lido/patoartegeral/patoartenec.htm

Também ocorrem alterações nucleares, que podem ser de três tipos:
1. Cariólise: diminuição da basofilia da cromatina.
2. Picnose: encolhimento do núcleo e aumento da basofilia.
3. Cariorréxis: fragmentação do núcleo picnótico ou parcialmente picnótico. Com o tempo, pode ocorrer desaparecimento total do núcleo.

Transformações nucleares e citoplasmáticas observadas nas células de baço que sofreram necrose por coagulação. Em A, observam-se as células normais que compõem o baço; em B, núcleo em picnose, com diminuição de volume e intensa basofilia (hipercromatismo); em C, cariorrexe, ou seja, distribuição irregular da cromatina, a qual se acumula na membrana nuclear; nessa fase, o núcleo pode se fragmentar (D); em E, dissolução da cromatina e desaparecimento da estrutura nuclear. Observa-se também granulação do citoplasma, o qual se torna também intensamente eosinofílico (HE, 1000X). Referência: www.fo.usp.br/lido/patoartegeral/patoartenec.htm

TIPOS DE NECROSE
Após as primeiras alterações morfológicas, as células necróticas podem apresentar diversos padrões, como veremos abaixo.

1. NECROSE DE COAGULAÇÃO: Nesse tipo de necrose predomina a desnaturação protéica. Há preservação da arquitetura celular, por pelo menos alguns dias. Os tecidos afetados apresentam uma textura firme. O infarto do miocárdio é o exemplo clássico desse tipo de necrose. Esse processo de necrose é característico da morte por hipóxia das células de todos os tecidos, exceto do cérebro.


Ventrículo esquerdo aberto. Existe uma extensa área de infarto transmural ao longo da parede ventricular. Referência: www.path.utah.edu/.../CVCase5/CVCase5Part5.htm

Referência: http://www.fcm.unicamp.br/deptos/anatomia

Referência: http://www.fcm.unicamp.br/deptos/anatomia

2. NECROSE DE LIQUEFAÇÃO: Resulta, predominantemente, de digestão enzimática. É característica de infeções bacterianas ou fúngicas focais. Geralmente, a morte por hipóxia leva à necrose coagulativa, contudo a hipóxia cerebral gera necrose liquefativa nesse órgão. O resultado desse tipo de necrose é a formação de uma massa viscosa. Se o processo for iniciado por uma inflamação aguda, o material resultante possuirá aspecto purulento, devido à presença de leucócitos mortos. O termo necrose gangrenosa é sinônimo de necrose coagulativa e, geralmente, é usado em relação a um membro que perdeu seu suprimento sangüíneo e foi submetido a morte por hipóxia. Quando da presença de bactérias no local da necrose, ocorre modificação do padrão necrótico para um padrão liquefativo, chamado de gangrena úmida.

Infarto Cerebral (Necrose Liquefativa). Referência: http://patologiana221.blogspot.com/2009/09/infarto-cerebral-um-tipo-de-necrose.html

Abscesso Pulmonar (Necrose Liquefativa). Referência: http://picasaweb.google.com/lh/photo/7o-4OK8Wf-mVJiaipIok_g

Gangrena Úmida (Necrose Liquefativa). Referência: http://picasaweb.google.com/lh/photo/rHyUQcvbbS2ZCM6mVkg4GA

Referência: http://www.fcm.unicamp.br/deptos/anatomia

Referência: http://www.fcm.unicamp.br/deptos/anatomia

Referência: http://www.fcm.unicamp.br/deptos/anatomia

Referência: http://www.fcm.unicamp.br/deptos/anatomia

Na substância branca, focos de edema são vistos como áreas mais claras. Aí é fácil observar as células grânulo-adiposas, cujo citoplasma espumoso contém restos dos axônios mielínicos necróticos. O grande e rápido afluxo das células grânulo-adiposas à area necrótica é o elemento principal para a liqüefação da necrose. Referência: http://www.fcm.unicamp.br/deptos/anatomia

3. NECROSE CASEOSA: é um tipo de necrose de coagulação. O exemplo clássico é a tuberculose. O termo caseoso deriva da aparência macroscópica do tecido envolvido, semelhante a um queijo branco. À microscopia, é possível observar fragmentos granulosos amorfos cercados por uma borda inflamatória, chamados de granulomas.

Referência: http://www.fcm.unicamp.br/deptos/anatomia

4. NECROSE GORDUROSA: esse termo não identifica um padrão específico de necrose, mas é bem aceito no meio médico. Descreve áreas de destruição de gordura que ocorre tipicamente como resultado da liberação de enzimas pancreáticas no parênquima pancreático e na cavidade peritoneal na pancreatite aguda. Os ácidos graxos liberados se combinam com o cálcio e produzem áreas brancas visíveis (saponificação). Microscopicamente, é possível observar focos de adipócitos necrosados de cotornos sombreados, com depósitos basofílicos de cálcio, cercados por reação inflamatória.

Na porção superior da figura, observa-se parte da grande curvatura do estômago, tendo suspenso o grande omento, fixados. Lateralmente, à direita (flecha), restos necróticos do pâncreas (pancreatite necro-hemorrágica). As pontas de flecha indicam focos de necrose gordurosa. Referência: http://www.uftm.edu.br/instpub/fmtm/patge/mac0020.htm


Necrose Gordurosa. Referência: http://www.pathology.com.br/necrose/t_necrosecompl.htm


Bruno Roberto da Silva Ferreira
Acadêmico de Medicina da UFC
Integrante da Liga de Patologia da UFC

2 comentários:

  1. Material interessante :D

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  2. excelente material ! contém imagens sobre todos os tipos de necroses comentados. explica de maneira didática
    sou aluna do 2° ano de medicina e estou estudando para uma prova de patologia

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